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Hanukkah

Chanuquiá (candelabro de Chanucá).

Hanuká (ou Chanucá) é uma festa judaico-cristã, que acontece em 25 de Kislev do calendário hebraico (nono mês no calendário cultual, ou terceiro mês no calendário civil). Esta é uma festa que dura oito dias, e em Israel são feriados o primeiro e o último dia da comemoração.

Diferente da maioria das festividades hebraicas, a origem de Chanucá não está na Torá (Pentateuco), mas sim menciona-se em João 10:22, sendo profetizada a Revolução Macabaica em Daniel 11:32 (ver o contexto em Daniel 11:21-35).

O termo Hanuká (ou Chanucá) significa consagração ou dedicação. Esta festa é também conhecida no meio hebraico como Festa das Luzes. Em João 10:22, vemos JESUS passeando no Templo na comemoração da Festa da Dedicação. Essa passagem é a única no Novo Testamento que se refere à dita festa. Não encontramos esta celebração no Antigo Testamento (a não ser as profecias que a anunciaram) porque o fato que deu origem a esta festa ocorreu no ano 164 a.C. (século II a.C.), e o cânon da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento) foi fechado no final do século V a.C.

Contexto histórico


Vindo da Macedônia, o Império Grego expande-se de maneira significativa desde o Egito, passando pelo Oriente Médio, até chegar à Índia. Depois da morte de seu imperador Alexandre, o Grande (336-323 a.C.), vários generais lutam pelo controle do império. Daí nasceram os impérios selêucida (grego sírio) e tolomeu (grego egípcio), os mais destacados herdeiros de Alexandre, além dos tradicionais reinos da Macedônia e da Grécia.

Passados uns 150 anos, o imperador selêucida Antíoco IV Epifânio (175-163 a.C.) conquista a região do Oriente Médio que estava sob domínio tolomeu, e investe fortemente contra toda a região da Judeia, impondo os costumes, as tradições, a religião e o pensamento grego helenístico. Para os hebreus, ele proíbe a circuncisão, a observância do Shabat, todas as restrições de comida (leis kashrut), e estipula que apenas porcos poderiam ser sacrificados no Templo de Jerusalém. Ele mesmo, num gesto de desrespeito e profanação, oferece um porco como sacrifício a Zeus, no interior do Templo, no Santo dos Santos. Todos os utensílios são retirados, e o local passa a ser mais um lugar de adoração do deus grego Zeus.

A cultura e o pensamento grego eram muito bem aceitos pelos povos dominados. O culto à mente humana, aos pensamentos filosóficos revolucionários e modernos, eram vistos como expressões de uma cultura extremamente mais desenvolvida. Com exceção de Israel, o pensamento e os costumes helenísticos eram aceitos, quase em sua maioria, de maneira espontânea e não obrigatória, já que um dos aspectos gregos de domínio era a não imposição de sua religião. Os povos dominados eram todos politeístas, e a aceitação de um ou mais deuses de uma cultura muito mais avançada, não representava grande problema. Mas com a nação de Israel não foi assim. Os hebreus sempre foram um povo distinto e separado das outras nações, pelo fato de crerem em um só DEUS, e de terem mandamentos, estatutos e ordenanças específicos. Por este motivo, o domínio grego em Israel foi bem mais brutal e violento.

Certo dia, um oficial selêucida ordena que Matatias Macabeu (Mateus, o “Martelo”), filho de João, chefe de uma importante família de sacerdotes do Templo, oferecesse um porco no altar. Matatias, juntamente com seus cinco filhos, dão início a uma revolta, matando o oficial selêucida e todos seus soldados (167 a.C.). Sob a liderança de Matatias, outros hebreus aderem à revolta. Por oito anos o exército dos Macabeus lutou pela libertação de Jerusalém e de Israel (167-160 a.C.). Após a morte de Matatias em 166 a.C., seu terceiro filho, Judas (Judá), o Macabeu, assume o controle da revolta, e leva o exército dos Macabeus à vitória sobre o exército grego selêucida na batalha de Bet Zur (164 a.C.).

O milagre


Livres do domínio e da ocupação do exército grego selêucida, os macabeus dão início à purificação do Templo em Jerusalém. No dia 25 do mês de Kislev, no ano 164 a.C., eles realizam com grande celebração a rededicação do Templo com a consagração de um novo altar. O chamado «ner tamid» (fogo eterno) foi novamente aceso na «menorá», o grande candelabro de sete pontas do interior do Templo. Mas o azeite de oliva consagrado para queimar na menorá, era suficiente para mantê-la acesa por apenas um dia, e levaria no mínimo uma semana para se preparar mais óleo. Então, por um milagre do DEUS Todo-Poderoso, o fogo na menorá continuou queimando por mais oito dias, tempo necessário para a preparação do novo óleo.

Alguns rabinos e autoridades hebraicas consideram milagre não só os oito dias da queima do óleo na menorá do interior do Templo, mas também a vitória do exército dos Macabeus sobre o poderoso exército selêucida (grego sírio). Eles lembram que o exército dos Macabeus era, em sua maioria, composto por sacerdotes, os quais não possuíam experiência em batalhas, armas ou táticas de guerra. Eles se refugiavam nos montes e nas cavernas ao redor de Jerusalém, e atacavam surpresivamente à noite, em diferentes pontos da cidade.

A festa


Desde então, os hebreus celebram a chamada Festa da Dedicação (ou Festa de Chanucá) todos os anos durante oito dias, representando os oito dias do milagre do fogo no Templo. O maior símbolo de Chanucá é o candelabro de nove pontas: a «Chanuquiá», que possui oito velas e uma central, mais alta que as outras, chamada de «Shamash» (servo), com a qual todas as oito velas são acessas, uma a cada dia. É costume hebraico colocar a chanuquiá na janela das casas, de maneira que todos possam vê-la e se lembrar do milagre.

Também é comum, nas noites de Chanucá, a comunhão familiar e entre amigos. O uso de jogos durante Chanucá surgiu na Idade Média, quando os hebreus eram proibidos de guardar as tradições e as festas. Eles então, durante as festas, utilizavam variados jogos, para que se alguém estranho os visse, não desconfiasse de que se tratava de hebreus realizando alguma cerimônia. Dentre estes jogos, os mais usados eram a Dama e o Dréidel (dado em forma de pião). Este último era muito utilizado durante Chanucá, e acabou por se tornar um dos símbolos da mesma. No dréidel, tem-se um dado de quatro faces, e em cada uma delas existe qualquer das seguintes letras do alfabeto hebraico: Nun, Guímel, Hêi e Shin, que são as iniciais da frase: «Nés gadol haiá sham» («Um grande milagre ocorreu lá!»).

A Chanuquiá (candelabro de 9 pontas) se tornou o símbolo da Festa de Chanucá. Os hebreus celebram esta festa expressando a alegria de serem o povo escolhido por DEUS.

Datas


A seguir, uma tabela com os equivalentes gregorianos de Chanucá, entre os anos 2000 e 2030:

• 2000: 22-29 de dezembro
• 2001: 10-17 de dezembro
• 2002: 30 de novembro-07 de dezembro
• 2003: 20-27 de dezembro
• 2004: 08-15 de dezembro
• 2005: 26 de dezembro-02 de janeiro de 2006
• 2006: 16-23 de dezembro
• 2007: 05-12 de dezembro
• 2008: 22-29 de dezembro
• 2009: 12-19 de dezembro
• 2010: 02-09 de dezembro
• 2011: 21-28 de dezembro
• 2012: 09-16 de dezembro
• 2013: 28 de novembro-05 de dezembro
• 2014: 17-24 de dezembro
• 2015: 07-14 de dezembro
• 2016: 25 de dezembro-01 de janeiro de 2017
• 2017: 13-20 de dezembro
• 2018: 03-10 de dezembro
• 2019: 23-30 de dezembro
• 2020: 11-18 de dezembro
• 2021: 29 de novembro-06 de dezembro
• 2022: 19-26 de dezembro
• 2023: 08-15 de dezembro
• 2024: 26 de dezembro-02 de janeiro de 2025
• 2025: 15-22 de dezembro
• 2026: 05-12 de dezembro
• 2027: 25 de dezembro-01 de janeiro de 2028
• 2028: 13-20 de dezembro
• 2029: 02-09 de dezembro
• 2030: 21-28 de dezembro

Legado


Cremos que os seguidores de JESUS temos bons motivos para celebrarmos esta festa bíblica (pois foi profetizada no Livro de Daniel, e mencionada no Evangelho de João). O tema principal de Chanucá é a re-consagração do Templo, e 1 Coríntios 6:19-20 relata que nós, crentes nascidos de novo, somos o Templo do ESPÍRITO SANTO. Os crentes não judeus são co-herdeiros em JESUS das promessas dadas a Abraão (Gálatas 3:29).

A festa de Chanucá não é ordenada pela Torá (Pentateuco), e é relativamente “menor” pela perspectiva da santidade. Portanto, muitos estabelecimentos comerciais hebreus ficam normalmente abertos. Para vivenciar um pouco do espírito desta festividade, deve-se experimentar as comidas tradicionais, particularmente os sufganiyot (um tipo de bolinho geralmente recheado com geleia, mas também com outros tipos de recheios doces). Em Jerusalém, durante a festa de Chanucá, vale a pena dar uma volta entre os bairros ultra-ortodoxos, como o Mea She’arim, e ver-se-ão centenas de chanuquiás acesas nas janelas das casas.

Por outro lado, a força e a fortaleza física e espiritual dos macabeus, foi em várias oportunidades comparada com a capacidade militar do exército de Israel. A festa das luminárias deve ser tomada como um ato de fé, que nos permite continuar a independência política de Israel, e também a liberdade de culto a favor do Judeo-Cristianismo, alumiada pela Luz mais potente que existe: a Luz de JEOVÁ; isto é, JESUS CRISTO, a Luz do mundo (João 8:12).

Aliás, se não tivesse existido a luta pela liberdade de culto no império grego selêucida, o povo hebreu e o Judaísmo teriam desaparecido, e portanto, não teria nascido em Israel o MESSIAS Prometido: Nosso Senhor JESUS CRISTO. Não teria existido a Obra Redentora da Cruz, e não existiria o Cristianismo, que tem suas raízes no Judaísmo. Isto é, tinha-se que cumprir a profecia de Daniel 11:29-35, dada pelo arcanjo Gabriel ao profeta Daniel, durante o cativeiro hebraico no Império Babilônio.

Portanto, assim como se relembra nesta festa a rededicação a JEOVÁ do Segundo Templo de Jerusalém, assim também nós, que somos templos da SANTÍSSIMA TRINDADE (1 Coríntios 3:16 e 6:19), devemos dedicar-nos constantemente à Sua vontade e mandamentos. Aproveitemos esta celebração para poder apresentar-nos como templos dignos de Sua presença, como sacrifícios vivos agradáveis a Ele (Romanos 12:1), para sermos luz na escuridão (Mateus 5:14-16). Arrependamo-nos, então, e consagremo-nos ao Eterno de Israel. DEUS nos dá a santidade, mas quem decide manter-se em santidade somos nós.

Lembremo-nos dos Livros de Esdras e Neemias, quando os judeus reconstruíram o Templo de Jerusalém. A primeira coisa que eles fizeram foi reconstruir o altar, depois o Templo propriamente dito, e finalmente, os muros. Noutras palavras: Não se consagra o Templo sem passar primeiro pelo altar de sacrifício, que é o local de arrependimento e de santificação.

Isto também se aplica a nós. Primeiro, passamos pelo altar de DEUS nos arrependendo. Depois re-consagramos nossa vida, nos santificando e purificando. Toda esta dedicação de nosso corpo (o templo) a DEUS, só pode ser feita por meio do ESPÍRITO SANTO, simbolizado pelo óleo que é multiplicado, derramado em nossas vidas, revelando a Pessoa de JESUS CRISTO. Assim como o azeite colocado no candelabro era puro, sem cheiro e sem fumaça quando queimado, assim também deve ser nossa vida para DEUS. Para nós é um mandamento brilharmos e reluzirmos graciosamente a beleza da natureza de DEUS em nós, por meio de Seu Filho JESUS.

Agora, entendendo um pouco mais sobre a Festa da Dedicação, podemos celebrá-la alegremente em nosso culto de Ação de Graças (1 Tessalonicenses 3:9).

¡Feliz Chanucá para todos!

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Para o início do ano bíblico existem dois critérios:

1.- A Torá (Pentateuco) estabelece que o mês de Abibe ou Nisã (março-abril) é o primeiro dos meses do ano, em cujo primeiro dia se comemora o ano novo cultual (Êxodo 12:2; 13:3-5).

2.- No mês hebraico de Etanim ou Tishrei (setembro-outubro) comemora-se o dia em que DEUS criou o mundo e, conforme a opinião do rabino Eleazar ben Shammua, a partir desta jornada se contam os anos. Esta é a data da Festa das Trombetas (em hebraico: זכרון תרועה, Zikron Teruá, ‘comemoração com soar de trombetas’) estabelecida e…