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Protestant Reformation

Martinho Lutero.
A Reforma Protestante teve origem na Alemanha em 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero publicou as 95 Teses contra a venda de indulgências, na porta da igreja de Wittenberg. Martinho Lutero partiu da necessidade de uma religião interior, baseada na comunhão da alma, humilde e receptiva com DEUS.

A Reforma Protestante foi apenas uma das inúmeras reformas religiosas ocorridas após a Idade Média, e que tinham como base, além do cunho religioso, a insatisfação com as atitudes da Igreja Católica e seu distanciamento com relação aos princípios primordiais.

O termo «Protestante» ou «Evangélico» é utilizado em toda América Latina para especificar as religiões cristãs que tiveram sua origem ou algum vínculo com os princípios da Reforma Protestante. Embora tenham a mesma origem, essas denominações estão divididas em duas grandes vertentes: o Protestantismo tradicional (clássico, conservador ou histórico), e o Pentecostalismo.

Antecedentes


No final da Idade Média (período da história universal que durou mil anos, entre os séculos VI e XV d.C.), vários fatores contribuíram para a formação dos Estados Nacionais ou as modernas nações europeias, com toda a descentralização política, e com príncipes limitando a autoridade imperial, e com forte tensão entre o Estado e a Igreja.

O poder do papado entrou em declínio, ocorreram confrontos com reis, divisões entre os próprios clérigos, e a necessidade de reforma. Houve um Grande Cisma e até mesmo três papas rivais em lugares diferentes, de 1378 a 1417. O Movimento Conciliar buscou solução para a crise numa tentativa fracassada de democratizar a Igreja e governá-la por meio de concílios. Os movimentos dissidentes na França acarretaram forte oposição, e a Inquisição foi oficializada em 1233.

Nos séculos XIV e XV, alguns movimentos esporádicos de protestos surgiram contra os ensinos e práticas da Igreja medieval, e alguns líderes foram chamados de pré-reformadores: João Wycliffe (c.1325-1384), João Huss (c.1369-1415) e Jerônimo Savonarola (1452-1498), por combaterem irregularidades e imoralidades do clero, condenarem superstições, peregrinações, veneração de santos, celibato, e as pretensões papais. Também outros movimentos romperam com a Igreja, e assim nasceu o interesse em estudar as obras da Antigüidade pelos renascentistas, levando alguns humanistas cristãos ao estudo da Bíblia nas línguas originais.

Muita convulsão política, social e religiosa havia no final da Idade Média, e via-se o declínio do feudalismo e da liderança dos papas e da Igreja. A população se ressentia dos abusos eclesiásticos, e de sua corrupção e falta de propósitos. Havia muita violência, baixa expectativa de vida, contrastes e desigualdades sociais e econômicas às vésperas da Reforma, e até mesmo certa revolta com a chamada «matemática da salvação» ou religiosidade contábil, que tratava pecados como débitos, as boas obras como créditos, e a venda de indulgências para perdão das penas temporais do pecado, estabelecidas por Leão X (1478-1521), com o intuito de terminar a construção da Basílica de São Pedro.

Reforma Protestante


Enquanto isso, na Alemanha, o domínico Johann Tetzel foi vender indulgências em Wittemberg, e Martinho Lutero (1483-1546) se pronunciou contrário. Lutero, natural de Eisleben, ingressou no mosteiro de Erfurt e tornou-se professor na Universidade de Wittenberg. Diante das indulgências, ele afixou na porta da Igreja da cidade, em 31 de outubro de 1517, 95 Teses ou convites para o debate na comunidade acadêmica, desafiando a autoridade da Igreja. Por isso, foi acusado de heresia e chamado a Roma, em 1518, mas recusou-se a ir, e manteve suas posições. Em 1519, participou de debate e afirmou que o infalível Papa podia sim errar.

Em 1520, recebeu uma Bula Papal para retratar-se, ou seria excomungado; mas Lutero, estudantes e professores de Wittenberg, queimaram a Bula em praça pública. Lutero também escreveu livros e tornou-se popular e notório em toda a Europa. Em 1521, na Dieta de Worms, Lutero reafirmou suas ideias e precisou se refugiar no castelo de Wartburg sob proteção de um príncipe-eleitor. Ali Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, e a reforma se espalhou rapidamente, com o apoio de vários principados alemães, por todo o Sacro Império Romano Germânico.

Frederico III da Saxónia.
Então, enquanto Lutero era acolhido por seu protetor, o príncipe Frederico III da Saxônia, diversos nobres alemães se aproveitaram da situação como uma oportunidade para tomar os inúmeros bens que a Igreja Católica possuía na região. Assim, três revoltas eclodiram: uma em 1522, quando os cavaleiros do império atacaram diversos principados eclesiásticos a fim de ganhar terras e poder; outra em 1523, quando a nobreza Católica reagiu; e uma em 1524, quando os camponeses, aproveitando-se da situação, começaram a lutar pelo fim da servidão e pelas igualdades de condições. Mas esta última também foi rechaçada por uma união entre Católicos, Protestantes, burgueses e sacerdores, que se sentiram ameaçados e exterminaram mais de 100 mil camponeses. O maior destaque da revolta camponesa na rebelião de 1524, foi Thomas Münzer, pois suas ideias dariam início ao movimento Anabatista, uma nova igreja ainda mais radical que a Luterana.

Houve então forte oposição Católica às novidades Luteranas. Em 1526, existiu certa tolerância; porém, como em 1529 acabou essa política conciliadora, os líderes Luteranos fizeram um protesto formal de apoio a Lutero, e isso deu origem ao nome histórico de «Protestantes». O auxiliar de Lutero, Filipe Melâncton (1497-1560) apresentou ao imperador germânico a «Confissão de Augsburgo», defendendo a doutrina Luterana (21 artigos) e indicando 7 erros da Igreja Romana.

Ocorreram guerras político-religiosas entre Católicos e Protestantes, de 1546 a 1555, findando com o Tratado de Paz de Augsburgo, reconhecendo a legalidade do Luteranismo como religião oficial de um território cujo príncipe a adotasse como tal.

Expansão


O Protestantismo se espalhou pela Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia. Foram defendidos princípios básicos que caracterizaram as convicções e práticas Protestantes, denominadas «As Cinco Solas», cada uma ressaltando o Evangelho da Graça de DEUS:

1.- SOLA FIDE: Somente pela fé o filho de DEUS pode desfrutar das bênçãos da salvação concedidas por CRISTO. O justo vive pela fé, e continua crendo nas promessas feitas por DEUS e registradas em Sua Palavra. A condição para a salvação continua sendo crer no Senhor JESUS para ser salvo (Atos 16:31)

2.- SOLA SCRIPTURA: Somente a Bíblia possui autoridade final sobre os filhos de DEUS. O fundamento da Reforma Protestante foi seu compromisso com a autoridade da Palavra de DEUS. Enquanto os religiosos da época defendiam a autoridade da hierarquia da Igreja Católica, os reformadores defenderam a centralidade das Escrituras na vida cristã.

3.- SOLO CHRISTUS: O sacrifício de JESUS CRISTO foi perfeito e suficiente para a redenção do pecador. A Ressurreição de CRISTO foi uma prova de que o Pai aceitou Seu sacrifício por quem Ele morreu (Hebreus 9:24). Por causa de Sua morte, nenhuma dívida permanece para ser paga por Seus discípulos.

4.- SOLA GRATIA: A salvação é somente pela Graça. Nada que o homem realiza pode resultar em méritos para sua salvação (Efésios 2:8-9)

5.- SOLI DEO GLORIA: O propósito da existência humana é viver com DEUS e para Sua glória. Sem a comunhão com DEUS, a existência humana se torna desesperadora, vazia e desprovida de significado. DEUS criou o ser humano à Sua imagem e para Sua glória, e o coração humano só encontra alívio quando descansado em DEUS está.

Esses tópicos doutrinários enfatizados pelos reformadores, se tornaram conhecidos como «as Solas» da Reforma. Eles representam a síntese dos pilares do verdadeiro Evangelho.

Outro reformador que marcou época foi Ulrico Zuínglio (1484-1531), reformador da Suíça, no movimento chamado «Segunda Reforma», que deu origem às Igrejas Reformadas na Suíça germanófona e no sul da Alemanha, promovendo mudanças mais radicais que os Luteranos.

Os reformadores radicais, ou Anabatistas (rebatizadores), geraram o terceiro movimento reformado, também em Zurique, na Suíça, sendo mais fanáticos, entusiastas e radicais. Os Anabatistas defenderam a separação completa entre igreja e estado.

João Calvino

Henrique VIII da Inglaterra,
fundador do Anglicanismo.
O grande reformador do século XVI foi João Calvino (1509-1564), francês que se refugiou na cidade suíça de Genebra, onde estudou teologia, humanidades e direito. Esteve em Genebra por duas vezes, de 1536 a 1538, e de 1541 até o final de sua vida. A cidade se tornou o grande centro do Protestantismo, e preparou líderes para toda a Europa, além de abrigar muitos refugiados das guerras religiosas. O Calvinismo foi o mais completo sistema teológico Protestante, e originou as Igrejas Reformadas (Europa continental) e Presbiterianas (Ilhas britânicas).

A Reforma Protestante ocorreu na Inglaterra com a atuação de refugiados que voltaram de Genebra. Contribuíram, também, o anticlericalismo dos ingleses, os ensinos Luteranos desde 1520, e a tradução da Bíblia para o inglês. Mas principalmente o rei Henrique VIII (1491-1547), com seus muitos casamentos e desentendimentos com o Catolicismo, iniciou a Reforma na Inglaterra, até que seu sucessor Eduardo VI (1547-1553) e seus tutores implantaram-na definitivamente no país, e cessaram as perseguições. Sintetizaram as doutrinas Luteranas e Calvinistas, além dos traços da liturgia Católica e, no reinado de Isabel I, a Inglaterra tornou-se oficialmente Protestante com matizes Católicos, criando a Igreja Anglicana.

Na Escócia, o Protestantismo foi introduzido por João Knox, discípulo de Calvino, e criou o conceito político-religioso de «Presbiterianismo», com igrejas governadas por oficiais eleitos pela comunidade (os presbíteros), livres da tutela do Estado.

Legado


“O verdadeiro tesouro da Igreja, é o Santíssimo Evangelho da Glória e da Graça de DEUS”.
(Martinho Lutero).

Em 1517, o autor da frase acima discordou com a Igreja Católica, e ao ver a obstinação da mesma para reformar-se, iniciou um movimento que mudaria significativamente a forma de muitos cristãos se posicionarem junto às instituições religiosas. Na época, ele contestava a corrupção da Igreja Católica e os desvios de conduta do clero, que gerenciava um lucrativo comércio de relíquias de CRISTO e indulgências, sendo estas últimas pagamentos em troca dos pecados perdoados.

Além de discordar desta postura, o movimento liderado por Lutero defendeu a liberdade de cada indivíduo para interpretação dos textos bíblicos. O fato de protestar contra a Igreja Católica (daí o termo «Protestante») influenciou teólogos contemporâneos dele, como o francês João Calvino. Foi nesse contexto que surgiram as primeiras igrejas Protestantes ou Evangélicas: Luterana, Calvinista, e Anabatista. Inspirou-se na Reforma Protestante a via média denominada Anglicanismo.

A Reforma Protestante foi uma luz no meio das trevas espirituais em que o Cristianismo andava durante a Idade Média. Junto aos os descobrimentos de novos mundos, a Reforma viu nascer a Idade Moderna. Mas além de oferecer dados históricos universais, esta mudança livrou a humanidade das opressões dogmáticas que as estruturas eclesiásticas impuseram antigamente. Restaurou-se parcialmente o Cristianismo primitivo, tal como Nosso Senhor JESUS CRISTO e seus discípulos, os Apóstolos, o estabeleceram; no entanto, só depois do cumprimento dos acontecimentos escatológicos, ao descer a Nova Jerusalém do Céu, será totalmente restaurada a Verdadeira Fé, sem influência nenhuma do pecado e de Satanás.

Os missionários europeus foram os responsáveis pela expansão dessas igrejas para países de todo o mundo, como ocorreu com o Brasil. O movimento Protestante ganhou força principalmente em 1808, após a fuga da corte portuguesa para a América. Essa fuga teve o apoio da Inglaterra, que enviou grupos de ingleses para construírem estradas de ferro e estruturar sistemas de comunicação como, por exemplo, o telégrafo. Há indícios de que era Luterana a maioria de pessoas escolarizadas da classe média-alta no Brasil dessa época, pois no fim do século XIX os Protestantes deram apoio ao movimento republicano. Não foi difícil aderirem ao movimento, pois quando os imigrantes chegaram, se depararam com um império que tinha o Catolicismo como religião oficial do Estado, e estava submisso às igrejas de Roma (que, entre outros aspectos, controlavam as emissão de registros importantes, como emissão de certidões de nascimento, casamento, e óbito).

O cerne da Reforma Protestante era de natureza teológica, pois a grande questão debatida naquela época dizia respeito ao perdão dos pecados. A pergunta que clamava por resposta era: ¿Cômo os pecados são perdoados, e cômo alguém pode ser salvo? A teologia da época defendia que cada pessoa deve salvar-se a si mesma. Por outro lado, os reformadores defendiam que a salvação é pela fé somente (Romanos 1:17; Habacuque 2:4).

31 de outubro:
¡Feliz dia da Reforma Protestante!

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Shavuot (Pentecost)

Pentecostes é o nome grego para um festival bíblico conhecido em língua hebraica como Shavuot: a Festa das Semanas (Levítico 23:15; Deuteronômio 16:9). A palavra grega significa «cinqüenta», e refere-se às cinco dezenas de dias que transcorrem desde a oferta movida da Páscoa (Levítico 23:4-22). A Festa das Semanas (Shavuot) celebra o fim da colheita de grãos.

Esta celebração é a segunda das três grandes festas anuais do Pentateuco (Torá). As outras são a Páscoa/Festa dos Pães sem Fermento, e Sucot/Festa dos Tabernáculos (Êxodo 23:14-16; Levítico 23:15-21; Números 28:26-31; Deuteronômio 16:9-12).

Etimologia
A Festa das Semanas (Shavuot) adquiriu o nome de Pentecostes, por causa de que se comemorava no dia qüinquagésimo a partir da jornada em que era movido o molho (feixe) da oferta (Levítico 23:15).

Em hebraico, o nome desta festa é Shavuot. Este vocábulo é plural de Shavua, que em hebraico significa «semana». Portanto, Shavuot significa «semanas».

Em grego, o nome desta festa é Pentec…