Yom Kippur


Yom Kippur (Dia da Expiação)


O Dia da Expiação é uma cerimônia anual, e dia sagrado mais importante, no qual o sumo sacerdote antigamente oferecia sacrifícios pelos pecados do povo (Levítico 23:27-32; Êxodo 30:10). O nome desse dia em hebraico é Yom Kippur (derivado da expressão hebraica yohm hakkippurím, que significa “dia das coberturas”), celebrado no dia 10 de Etanim/Tisri, e hoje também conhecido como Dia do Perdão.

Era o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo. Lá, ele oferecia o sangue de sacrifícios pelos pecados seus, dos outros levitas, e do povo em geral. Era também a ocasião de se limpar o tabernáculo (e os posteriores templos) dos efeitos poluidores do pecado.

O Yom Kippur é uma jornada de santa convocação e de jejum, e também um sábado (dia feriado), ocasião para deixar de lado as tarefas rotineiras (Levítico 23:27-28).

Arão, irmão de Moisés, era o primeiro sumo sacerdote de Israel quando esta observância foi instituída, no ermo do monte Sinai, no século XV a.C. Aquilo que mandou-se-lhe fazer serviu de modelo para as observâncias posteriores do Dia da Expiação. Sem dúvida, este acontecimento induz à maior conscientização da pecaminosidade humana, e da necessidade duma redenção, bem como maior apreço da abundante misericórdia de YHWH em fazer este arranjo para cobrir os pecados do povo, do ano que se passou.

Todo o cerimonial deste dia foi um tipo de CRISTO e Sua obra vicária, de acordo com a interpretação da Epístola aos Hebreus. CRISTO, nosso Sumo Sacerdote, ofereceu o sacrifício de Si Mesmo, não pelos Seus pecados (inexistentes, de fato), mas pelos nossos. Ele não entrou no Lugar Santíssimo do Templo, mas no próprio Céu Ele ingressou. E Sua oferta propiciatória não precisa ser repetida todos os anos, porque foi perfeita, única e completa.

Data


A seguir, uma tabela com os equivalentes gregorianos de Yom Kippur, entre os anos 2000 e 2030:

• 2000: 09 de outubro
• 2001: 27 de setembro
• 2002: 16 de setembro
• 2003: 06 de outubro
• 2004: 25 de setembro
• 2005: 13 de outubro
• 2006: 02 de outubro
• 2007: 22 de setembro
• 2008: 09 de outubro
• 2009: 28 de setembro
• 2010: 18 de setembro
• 2011: 08 de outubro
• 2012: 26 de setembro
• 2013: 14 de setembro
• 2014: 04 de outubro
• 2015: 23 de setembro
• 2016: 12 de outubro
• 2017: 30 de setembro
• 2018: 19 de setembro
• 2019: 09 de outubro
• 2020: 28 de setembro
• 2021: 16 de setembro
• 2022: 05 de outubro
• 2023: 25 de setembro
• 2024: 12 de outubro
• 2025: 02 de outubro
• 2026: 21 de setembro
• 2027: 11 de outubro
• 2028: 30 de setembro
• 2029: 19 de setembro
• 2030: 07 de outubro

Detalhes


A Bíblia especifica claramente o que deve ser feito neste dia (Levítico 16), bem como seu último significado (Hebreus 9--10). O sumo sacerdote tirava as roupas oficiais e vestia-se humildemente de branco; então ele entrava carregando um incensário de ouro e um vaso com incenso. Ao colocar incenso nas brasas, previamente retiradas do altar, uma nuvem de fumaça cobria o Propiciatório da Arca da Aliança. Do sangue do bezerro abatido para expiação, o sacerdote pegava com o dedo e aspergia o propiciatório sete vezes, para purificar o santuário e expiar os pecados do sacerdócio.

Então, eram sorteados dois bodes: um era sacrificado, e com parte do sangue entrava o sumo sacerdote novamente no Lugar Santíssimo; ele repetia a cerimônia de aspersão e purificava as pessoas desta vez. Depois, punha as mãos na cabeça do outro bode, o de Azazel, e o animal era levado para um lugar deserto, onde perdia-se. Isso simbolizava a expulsão dos pecados do povo.

Legado


O exame cuidadoso desta celebração, à luz das observações inspiradas do apóstolo Paulo, mostra que JESUS CRISTO e Sua obra redentora a favor da humanidade, foram tipificados pelo sumo sacerdote de Israel e pelos animais usados na cerimônia. Paulo, na sua Carta aos Hebreus, mostra que JESUS CRISTO é o grande Sumo Sacerdote antitípico (Hebreus 5:4-10). O apóstolo indica também que a entrada do sumo sacerdote no Santíssimo, em um dia no ano, com o sangue de animais sacrificiais, prefigurou a entrada de JESUS CRISTO no próprio céu, com Seu próprio Sangue, fazendo assim expiação por aqueles que exercem fé no Seu sacrifício. Naturalmente, CRISTO, não tendo pecado, não precisava oferecer um sacrifício por qualquer pecado pessoal, assim como fazia o sumo sacerdote de Israel (Hebreus 9:11-12, 9:24-28).

Arão sacrificava o novilho para os sacerdotes e para o restante da tribo de Levi, espargindo seu sangue no Santíssimo (Levítico 16:11, 16:14). De forma comparável, CRISTO apresentou o valor de Seu Sangue humano a DEUS, no Céu, onde podia ser aplicado em benefício daqueles que passariam a governar com Ele como sacerdotes e reis (Apocalipse 14:1-4, 20:6).

O bode para YHWH também era sacrificado, e seu sangue espargido perante a Arca da Aliança, com o fim de beneficiar as tribos não-sacerdotais de Israel (Levítico 16:15). De modo similar, o único sacrifício de JESUS CRISTO também beneficia a humanidade.

Eram necessários dois bodes, porque apenas um não podia servir de sacrifício e ainda ser usado para levar embora os pecados de Israel. Ambos os bodes eram mencionados como uma só oferta pelo pecado (Levítico 16:5), e eram tratados de modo similar até se lançar sorte sobre eles, o que indica que constituíam juntos um só símbolo. JESUS CRISTO não somente foi sacrificado, mas também leva embora os pecados daqueles pelos quais morreu sacrificialmente.

O apóstolo Paulo demonstrou que, ao passo que não era possível que o sangue de touros e de bodes removesse pecados, DEUS preparou para JESUS um corpo (que Ele se mostrou disposto a sacrificar quando se apresentou para o batismo), e que, segundo a vontade Divina, os seguidores de CRISTO foram santificados por intermédio da oferta do corpo de JESUS CRISTO, uma vez para sempre (Hebreus 10:1-10). Assim como era queimado, fora do acampamento de Israel, aquilo que sobrava dos corpos do novilho e do bode oferecidos no Dia da Expiação, o apóstolo observa que CRISTO sofreu (por ser cravado no madeiro) fora dos portões de Jerusalém (Hebreus 13:11-12).

Portanto, é evidente que, embora o Dia da Expiação hebraico não produzisse a eliminação completa e permanente do pecado (nem mesmo para Israel), os diversos aspectos desta celebração anual têm caráter típico. Prefiguravam a grandiosa expiação pelos pecados feita por JESUS CRISTO, o Sumo Sacerdote confessado pelos crentes n’Ele (Hebreus 3:1).

Além disto, os pecados do homem contra o CRIADOR, se não forem de morte, serão tirados no Yom Kippur. No entanto, os pecados entre os homens (aqueles que uma pessoa inflige a outra) não são perdoados no Yom Kippur, e por isso exige o MESTRE que nos perdoemos uns a outros, para que YHWH perdoe nossas ofensas (Mateus 5:23-24; 6:14-15; 18:21-22; Marcos 11:25-26; Lucas 17:3-4).

Todas essas instruções provenientes de JESUS nos ensinam que não podemos esperar nem confiar nas provisões do Yom Kippur para o perdão entre os homens. Portanto, se tivermos danificado, golpeado emocional ou moralmente a um irmão, ou cometido qualquer tipo de transgressão comum entre os homens, devemos desculpar-nos com a pessoa ofendida, e procurar seu perdão antes de Yom Kippur. Tudo o que seja possível fazer pelo bem da paz, deve ser feito, pois essa é a recomendação em nome de YHWH (Salmo 34:14; Romanos 12:18; 14:19)

Se tivermos pecado contra nosso irmão ou irmã, por algo que não é conhecido pela pessoa ofendida (como por exemplo, falámos mal de alguém, ou traímos a confiança de alguém), devemos procurar o perdão dessa pessoa, sem mencionar a falta cometida especificamente (porque se o fizermos, poderemos criar mais problemas do que soluções). É melhor dizermos-lhe: «Se em algo você considera que lhe ofendi ou faltei o respeito em contra de sua amizade e honra, peço-lhe perdão». Desta maneira edificamos a paz com reconciliação.

Por outro lado, é dever da pessoa ofendida perdoar o ofensor, e não ser cruel com a alma que pede perdão de forma genuína. É tão importante o perdão entre os irmãos, que JESUS ensina que se você tiver ofendido seu irmão, deverá procurá-lo para que lhe perdoe. Se não o fizer, você deverá conseguir dois ou três que vão com você para o convencer de lhe perdoar. E se isso não funcionar, você deverá dar um passo mais além, e trazer a pessoa ao templo local (isto é, à corte da comunidade), para o forçar a lhe perdoar.

Levando em conta o conselho de Ramban no século XIII, isto seria assim: Tanto o arrependimento como o Yom Kippur só expiam os pecados entre o homem e DEUS; no entanto, os pecados entre as pessoas não são expiados no Yom Kippur até que se desculpem entre elas. Se um deles se desculpou, e o outro não aceitar escusá-lo, se reunirão três pessoas dentre seus conhecidos para intercederem e pedir-lhes que o perdoe. Se mesmo assim a outra pessoa não quiser perdoá-lo, o ofensor procederá desta forma duas e três vezes (reunindo três de seus conhecidos para que intervenham e peçam que o desculpe). Se o ofendido não o perdoar, o ofensor já não estará comprometido a continuar se desculpando, e o ofendido que não perdoar carregará com o pecado (pois adotou uma atitude cruel) (Mateus 18:15-17; Lucas 17:3). Se for com seu mestre ou líder (com quem deve se desculpar), qualquer um deles irá e virá, inclusive mil vezes, até conseguir o perdão.

¡Feliz Yom Kippur para todos!