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Pesach (Passover)


Páscoa


Do hebraico «Pesach» (passar por cima, deixar de lado), a Páscoa é uma festa instituída por DEUS em comemoração da libertação de Israel do Egito, e esperando ansiadamente o sacrifício expiatório de CRISTO. Esta palavra significa:

1.- A Festa da Páscoa (Mateus 26:2; João 2:13, 2:23, 6:4, 11:55, 12:1, 13:1, 18:39, 19:14; Atos 12:4; Hebreus 11:28)

2.- Por metonímia:
• A Ceia Pascal (Mateus 26:18-19; Marcos 14:16; Lucas 22:8, 22:13)
• O cordeiro pascal (Êxodo 12:21Marcos 14:12; Lucas 22:7)
• O próprio CRISTO (1 Coríntios 5:7)

Êxodo 12:1–15:21 narra a história que originou a Páscoa, quando o povo israelita foi liberado por DEUS (através de Moisés) da escravidão egípcia (século XV a.C.), e a posterior comemoração institucional periódica daquele acontecimento. Intimamente unidos, embora também independentes, estão a proibição do fermento (que simbolizava a pressa dessa inesquecível noite do êxodo), e a posterior dedicação dos primogênitos com as ofertas correspondentes (que relembravam os primogênitos Divinamente protegidos nas casas com o sangue borrifado do cordeiro sacrificado).

Êxodo 23:15, 34:18, Levítico 23:5-8, Números 28:16-25, e Deuteronômio 16:1-8, narram os detalhes da observância desta festa que rememoram o milagre do Êxodo e o passo através do mar Vermelho. Por sua parte, em Jeremias 46:13-28 está a profecia do fim do império egípcio como castigo por ter escravizado os hebreus, além da conquista que os babilônios lhes infligiram no século VI a. C., e sua posterior restauração para nunca mais serem um império mundial.

O que se conhece como Semana Santa, é uma adaptação das datas da última Páscoa que JESUS celebrou antes de Sua crucifixão, morte e Ressurreição. Sempre coincide com as datas bíblicas da Páscoa (14-21 de Abibe/Nisã), já que aquela Última Ceia que JESUS compartilhou com Seus discípulos na noite de Quinta-feira Santa, era o primeiro dia da Páscoa (Festa dos Pães sem Fermento), isto é, o início de 15 de Abibe, depois de ter sacrificado ritualmente o cordeiro pascal durante a tarde prévia de 14 de Abibe. Simbolicamente, o Evangelho de João afirma que JESUS foi crucificado ao mesmo tempo em que os cordeiros pascais eram sacrificados durante a tarde de 14 de Abibe, para assim demonstrar que JESUS é o Cordeiro de Páscoa, bem como Paulo o afirmou mais tarde em 1 Coríntios 5:7.

Lucas 2:22-24 narra a apresentação de JESUS no Templo de Jerusalém, cumprindo a Lei de DEUS dada através de Moisés justamente em ocasião da saída do Egito (Êxodo 13:2, 13:12; Levítico 12:1-8). Finalmente, João 19:31-37 descreve cômo JESUS, estando crucificado, foi traspassado pela lança de um soldado romano, que preferiu fazer-Lhe isso do que Lhe avariar as pernas ao vê-Lo morto, para que assim se cumprissem em JESUS os rituais usados para sacrificar o cordeiro pascal (Êxodo 12:46; Números 9:12; Salmo 34:20 [33:21 na LXX]; Zacarias 12:10), estabelecendo-Se assim como o Cordeiro de DEUS (João 1:29) dado por nós como nossa Páscoa (1 Coríntios 5:7).

Até o ano 70 d.C., a Páscoa celebrou-se em Jerusalém, em qualquer casa dentro dos limites da cidade, e em grupos pequenos; o cordeiro era morto ritualmente no recinto do templo. Quando o templo foi destruído pelos romanos, a Páscoa inevitavelmente virou uma cerimônia doméstica.

Os samaritanos continuam observando anualmente, em forma detalhista, seu antigo ritual pascal israelita no monte Gerizim, em plena conformidade com o Pentateuco (Torá), celebrando a Páscoa e a Festa dos Pães sem Fermento em forma completamente separada dos judeus e cristãos. Inclusive os samaritanos ainda continuam sacrificando um cordeiro pascal. Agora são usadas as ladeiras do Gerizim, pois o cume foi profanado ritualmente por um cemitério muçulmano. Os samaritanos apoiam suas afirmações lendo, como variante, «Gerizim» ao invés de «Ebal» em Deuteronômio 27:4, e também relacionando Deuteronômio 12:4-5, 12:13-14, e 16:5-6, com Gerizim ao invés de Sião.

A Festa da Páscoa celebrada pelos cristãos nos tempos pós-apostólicos, é uma continuação da festa original hebraica. Por sua vez, a festa pagã em honra à deusa da primavera Eástre (outra forma do nome Astarte ou Istar, um dos títulos da deusa caldeia considerada como rainha do céu), é totalmente diferente da Páscoa. No entanto, a festa pagã introduziu-se no cristianismo ocidental, sob a guisa de «Páscoa», como parte da tentativa de adaptar as festas pagãs no seio da cristandade. Aliás, em inglês recebe o nome de Easter, derivado de Eástre, o que evidencia a verdadeira origem pagã da «Páscoa cristã», não compatível com a Páscoa bíblica.

Datas


A Páscoa celebra-se desde o entardecer de 14 de Abibe, até o anoitecer de 21 de Abibe/Nisã, conforme as ordenanças do Pentateuco (Torá). No entardecer do dia 14 sacrificava-se o cordeiro pascal, e no anoitecer, iniciando o dia 15, começa (ainda nos dias atuais) a Festa dos Pães sem Fermento, durando sete dias até o anoitecer do dia 21.

Levando em conta a duração de sete jornadas desta festa (15-21 de Abibe/Nisã), eis uma tabela das datas gregorianas entre os anos 2000 e 2030 d.C.:

2000:   20-26 de abril
2001:   08-14 de abril
2002:   28 de março – 03 de abril
2003:   17-23 de abril
2004:   06-12 de abril
2005:   24-30 de abril
2006:   13-19 de abril
2007:   03-09 de abril
2008:   20-26 de abril
2009:   09-15 de abril
2010:   30 de março – 05 de abril
2011:   19-25 de abril
2012:   07-13 de abril
2013:   26 de março – 01 de abril
2014:   15-21 de abril
2015:   04-10 de abril
2016:   23-29 de abril
2017:   11-17 de abril
2018:   31 de março – 06 de abril
2019:   20-26 de abril
2020:   09-15 de abril
2021:   28 de março – 03 de abril
2022:   16-22 de abril
2023:   06-12 de abril
2024:   23-29 de abril
2025:   13-19 de abril
2026:   02-08 de abril
2027:   22-28 de abril
2028:   11-17 de abril
2029:   31 de março – 06 de abril
2030:   18-24 de abril

Observância antes de CRISTO


Êxodo 12 sugere as seguintes considerações principais:

1. O termo Páscoa (do hebraico «pesach») provém dum verbo que significa «passar por alto», no sentido de «perdoar, escusar» (Êxodo 12:13, 12:25-27, etc.). Este significado proporciona um sentido excelente: não é necessário desestimar o ponto de vista tradicional e antigo de que DEUS literalmente passou por alto ou por cima das casas israelitas que estavam marcadas com o sangue borrifado, enquanto feriu os primogénitos nas casas dos egípcios. O termo se usa tanto para a ordenança como para a vítima do sacrifício.

2. Abibe (conhecido posteriormente como Nisã/Nissan), o mês em que amadurecem as espigas, e também o da primeira Páscoa: estabeleceu-se, conseqüentemente, como o primeiro mês do ano hebraico bíblico (Êxodo 12:2, Deuteronômio 16:1; conferir Levítico 23:5, Números 9:1-5, e 28:16).

3. Na noite da Páscoa no Egito, as ombreiras e vergas de todas as portas israelitas foram borrifadas com o sangue da vítima. O sangue levava-se numa bacia, e era aplicado com um hissopo, ou seja, a folhagem da manjerona, emblema comum da pureza.

4. A frase «à tarde» de Êxodo 12:6 (também em Êxodo 16:12, Levítico 23:5, Números 9:3, 9:5, e 9:11), recebeu duas interpretações diferentes, segundo práticas comunitárias diversas: pode ser entre as 15:00 e o pôr-do-sol, como afirmavam e praticavam os fariseus; ou, como afirmavam os samaritanos e outros, entre o pôr-do-sol e a hora em que escurece. A primeira interpretação proporciona mais tempo para a matança dos inúmeros cordeiros, e provavelmente seja a mais precisa.

5. Êxodo 12:43-49 exclui os gentios da participação na Páscoa, mas não os prosélitos, dos quais se esperava que aderissem plenamente; aliás, eram obrigados a fazê-lo.

Todo o dramatismo e o sentido interior de Êxodo 12 estão contidos em dezessete palavras gregas carregadas de significado em Hebreus 11:28.

A Páscoa de Deuteronômio 16 difere em importantes sentidos menores daquela de Êxodo 12. Desapareceu o finca-pé que se punha no sangue: uma cerimônia essencialmente doméstica converteu-se num sacrifício mais formal, que se cumpria num santuário central, com uma eleição mais ampla de vítimas pascais. Deuteronômio 16:7 estipula que devia ser cozido o animal, e não assado; a Páscoa e o pão sem fermento, chamado aqui «pão de aflição», estão mais integralmente vinculados do que no Livro do Êxodo. Trata-se de evolução, pois o acontecimento vira instituição e não contradição; aliás, se aproxima mais daquilo que está registrado no Novo Testamento em relação à Páscoa. Não é necessário supor um grande lapso entre essas passagens bíblicas; a mudança das circunstâncias pode ter sido antecipada profeticamente no período da peregrinação no deserto. Registra-se inclusive que foi instituída uma segunda Páscoa, que se celebrava um mês depois, para benefício daqueles que estavam leviticamente impuros no momento da celebração da primeira (Números 9:1-14).

A Páscoa celebrou-se nas planícies de Jericó durante a conquista de Canaã (Josué 5:10-12). Nas celebrações dos reis Ezequias (2 Crônicas 30:1-27) e Josias (2 Crônicas 35:1-19), monarcas do sulista reino de Judá, considera-se que o lugar apropriado é o templo de Jerusalém. A cerimônia de Ezequias aproveita a segunda Páscoa legítima mencionada em Números 9:1-14, porque as pessoas não estavam congregadas em Jerusalém, e os sacerdotes não se encontravam em estado de pureza levítica na data mais temporã. A breve referência do profeta Ezequiel (45:21-24) trata da Páscoa no templo ideal concebido por DEUS através dele. Os três pontos de interesse são a participação mais plena do líder secular, o ato de um sacrifício pelo pecado, e a total transformação da celebração familiar para torná-la uma cerimônia pública. Entre as vítimas especificadas estão novilhos, carneiros e cabritos. As prescrições de Deuteronômio estão consideravelmente amplificadas, embora não se trate dum esquema novo.

Na prática judaica nos últimos dias do templo herodiano (o segundo templo de Jerusalém), o povo se reunia em grupos, no pátio exterior do templo, para matar as vítimas pascais. Os sacerdotes localizavam-se em duas filas: numa fila cada um dos sacerdotes tinha uma bacia de ouro, e na outra fila, uma bacia de prata. A bacia que recebia o sangue do animal que morria, passava-se de mão em mão, num intercâmbio contínuo, até o outro extremo da fila, onde o último sacerdote vertia o sangue em forma ritual sobre o altar. Tudo isto fazia-se no mesmo tempo em que se cantava o Hallel (os Salmos 113–118 [112–117 na LXX]). Os grupos celebrantes geralmente constituíam unidades familiares, mas também existiam outros vínculos, tais como aquele que unia nosso Senhor JESUS com Seus apóstolos.

Observância depois de CRISTO


Na época neotestamentária, todos os israelitas varões deviam ir a Jerusalém três vezes por ano, para as festas de Pesach (Páscoa/Festa dos Pães sem Fermento), Shavuot (Pentecostes/Festa das Semanas), e Sucot (Festa dos Tabernáculos). Inclusive os judeus da diáspora muitas vezes cumpriam. A população temporária na cidade santa (comparar os que estavam presentes no momento de Pentecostes em Atos 2) podia chegar até quase três milhões, segundo o historiador Flávio Josefo (século I d.C.).

Depois de procurar, à luz das velas, rastros de fermento proibido, além de outros preparativos minuciosos (comparar Marcos 14:12-16 e seus paralelos), a própria ceia pascal comia-se (e continua sendo comida) em posição reclinada. Inclui os seguintes elementos simbólicos: cordeiro assado, pão sem fermento, ervas amargas, alguns condimentos, e quatro taças de vinho em momentos determinados. A mesa limpa-se antes da segunda taça de vinho, e relata-se a história da páscoa no Egito e o êxodo, num diálogo entre pai e filho (ou substitutos adequados). Depoissão trazidos novamente os pratos de comida, canta-se parte do Hallel, seguido pela segunda taça de vinho. Depois parte-se o pão. Na Última Ceia, provavelmente foi nesta altura que Judas Iscariotes recebeu o pão molhado, e saiu na escuridão da noite com o propósito de trair Seu Mestre (João 13:26-30). Nessa fatídica noite, a instituição da Ceia do SENHOR (ou Eucaristia) esteve associada com a terceira taça de vinho. O canto do Hallel completava-se com a quarta taça, que é o hino mencionado em Mateus 26:30.

Os simbolismos «CRISTO, nossa Páscoa» e «Cordeiro de DEUS», são familiares pelo seu uso no Novo Testamento. Afirma-se em Êxodo 12:46 e Números 9:12 que nenhum osso da vítima pascal tinha que ser quebrado. Este pequeno detalhe cumpre-se tipologicamente quando é aplicado reverentemente a CRISTO (João 19:36).

Depois da destruição do templo de Jerusalém no ano 70 d.C., cessou toda possibilidade de matar as vítimas de maneira ritual, e a Páscoa transformou-se novamente na festa familiar que foi nos primeiros tempos: a roda tinha completado o círculo.

Legado


JESUS entrou em Jerusalém um dia 10 de Abibe/Nissan do ano 30 d.C., como o Cordeiro que DEUS separou para que seja sacrificado pela humanidade (Êxodo 12:1-6). Não é coincidência que após ter comemorado a Última Ceia (a ceia da Páscoa), JESUS fosse condenado a morrer na cruz. Este ato cumpre perfeitamente aquilo que o cordeiro pascal fazia a favor dos israelitas: levava o pecado deles ao altar do sacrifício, onde o sacerdote o oferecia a YHWH, e assim cobria o pecado. Mas o sacrifício de JESUS não somente cobriu os pecados da humanidade, mas também os tirou (João 1:29). É por isso a importância de comemorar este ato que aconteceu na Sexta-feira Santa.

Também não é coincidência que esta data seja o início da Festa dos Pães Ázimos, celebrada imediatamente depois da ceia da Páscoa. Nos Evangelhos, esta refeição é denominada de Última Ceia, onde JESUS a compartilhou com Seus apóstolos, e onde Ele lhes disse que sempre façam aquele ato, conhecido atualmente como Santa Ceia, Ceia do SENHOR JESUS, ou Eucaristia. O sacrifício do cordeiro representa o sacrifício de JESUS CRISTO; o pão ázimo representa o corpo de CRISTO; e as ervas amargas representam o sofrimento que JESUS suportou na cruz, análogo ao sofrimento dos israelitas quando eram escravos no Egito (Êxodo 12:1-14).

¡Feliz Páscoa para todos!


Nosso Deus, cujas maravilhas vemos brilhar também em nossos dias: O que Tu fizeste em nome de Teu povo escolhido, libertando-o da perseguição de faraó, Tu fazes através da água do batismo para a salvação das nações. Pedimos que todos os homens do mundo se tornem verdadeiros filhos de Abraão e se mostrem dignos da promessa de Israel, através de JESUS CRISTO, nosso Senhor. Amém.

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Para o início do ano bíblico existem dois critérios:

1.- A Torá (Pentateuco) estabelece que o mês de Abibe ou Nisã (março-abril) é o primeiro dos meses do ano, em cujo primeiro dia se comemora o ano novo cultual (Êxodo 12:2; 13:3-5).

2.- No mês hebraico de Etanim ou Tishrei (setembro-outubro) comemora-se o dia em que DEUS criou o mundo e, conforme a opinião do rabino Eleazar ben Shammua, a partir desta jornada se contam os anos. Esta é a data da Festa das Trombetas (em hebraico: זכרון תרועה, Zikron Teruá, ‘comemoração com soar de trombetas’) estabelecida e…