Pular para o conteúdo principal




→ Passport ←

Purim


Purim (vocábulo assírio que significa: «pedras pequenas», usadas para tirar sortes) é uma festividade anual bíblica que se celebra nos dias 14 e 15 do mês hebraico de Adar, e que comemora a providencial liberação do povo hebreu na época da rainha Ester, e de seu primo Mardoqueu (Mordecai), no império Medo-Persa ou Aquemênida, durante o reinado de Assuero, conhecido na história secular como Xerxes I (486-465 a.C.).

Origem


A fonte desta festividade está no Livro Bíblico de Ester, e esta história transcorre entre 483 e 473 a.C., no século V a.C. As personagens e os eventos ali narrados, são comprovados secularmente através de outras fontes escritas, a maioria de origem babilônica e grega. Apesar dos reis persas se casarem apenas com mulheres de linhagens reais e nobres, escritos gregos datados do séc. II a.C. comprovam que o rei Assuero (Xerxes I) realizou um grande banquete para escolher para si uma nova esposa (Ester 2:1-18; 483 a.C.), já que ele estava extremamente decepcionado não apenas com a rebeldia da rainha Vasti (Amástris) narrada em Ester 1, mas também com as sucessivas derrotas para o emergente império grego.

O termo Purim significa «sortes», e denominou-se assim esta festa, por razão de que se tirou a sorte («pur») para indicar o dia propício para a matança de todos os judeus, segundo o plano perverso de Hamã. Esse dia caiu no mês duodécimo do calendário hebraico cultual (o mês de Adar), dando tempo suficiente para que Mardoqueu e Ester, guiados por DEUS, transtornassem o projeto de Hamã, o favorito do rei medo-persa (Ester 3).

Mardoqueu, através de um servo de Ester chamado Hatá (Hataque), mandou dizer à rainha que ela intercedesse pelo seu povo que corria risco de vida. Além disso, disse-lhe que para uma situação como aquela foi escolhida para ser rainha: para falar perante o rei em favor dos judeus. Ela, após compreender a estratégia, mandou que todos os judeus jejuassem durante três dias em favor dela, pois iria interceder pelo seu povo perante o rei sem ser convocada por ele, ação que ia contra a lei dos medo-persas (Ester 4).

Depois do jejum, a rainha Ester foi até o palácio do rei Assuero. Ele não quis cumprir a lei desta vez, permitindo que Ester estivesse em sua presença. Ela então decidiu convidar ele e Hamã para um banquete naquele mesmo dia. Ambos foram, e durante o encontro, Ester disse ao rei que voltem eles dois ao dia seguinte para outro banquete: somente ali daria a conhecer seu pedido (Ester 5).

Durante o segundo banquete, o rei perguntou à rainha quál era seu pedido. Ela respondeu que injustamente seu povo tinha sido condenado a morrer. Quando o rei soube que Hamã teve essa ideia, e aliás, quando soube que foi enganado por ele pelo fato de não dizer-lhe quál era o povo do qual o decreto tratava (e além disto, que se referia ao povo do qual a rainha provinha), ficou muito indignado e retirou-se do salão do banquete (Ester 7:1-7). Hamã pediu misericórdia a Ester, e perdendo total respeito, aproximou-se dela demasiadamente. O rei, quando voltou e viu aquela cena, ficou ainda mais bravo. Então os eunucos do rei cobriram a cabeça de Hamã, e um deles, chamado Harbona, informou ao rei acerca da forca que Hamã tinha construído para enforcar Mardoqueu. O rei Assuero então mandou que nessa mesma forca pendurassem Hamã (Ester 7:8-10)

Apenas Hamã morreu, o rei deu a Mardoqueu o posto de primeiro ministro, e a rainha Ester contou para o rei que ela e Mardoqueu eram primos. Além disso, concedendo o pedido de Ester e Mardoqueu, o rei promulgou outro decreto, que deu aos judeus o direito de se defenderem dos ataques de seus inimigos. Este decreto saiu no mês de Sivã (o terceiro do calendário hebraico cultual), dois meses depois do primeiro decreto idealizado por Hamã (Ester 8).

Finalmente chegou o dia em que ambos os decretos deviam ser cumpridos. No dia 13 do mês de Adar (nos inícios do ano 474 a.C.), os judeus de todo o império se defenderam de seus inimigos e mataram muitos deles. Em Susã, a capital do império, a defesa judaica prolongou-se um dia mais (14 de Adar), conforme a rainha Ester pediu para o rei Assuero. O dia 14 de Adar foi um dia comemorativo para os judeus do interior do império, e o 15 de Adar foi o dia comemorativo para os judeus que moravam na capital. Desta maneira, a rainha Ester e o primeiro ministro Mardoqueu introduziram estas datas no calendário festivo dos judeus (Ester 9-10).

Mardoqueu, através de cartas que ele enviou a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, ordenou que se comemorasse esta festa nos dias 14 e 15 de Adar, e que fossem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres (Ester 9:20-24).

Costumes


Em sua celebração moderna, dentro do judaísmo messiânico e do judaísmo rabínico e caraíta (não messiânicos), é lido o Livro de Ester na sinagoga, e depois a congregação exclama: «Seja maldito Hamã, e seja bendito Mardoqueu». Além do mais, são pronunciadas maldições sobre Hamã e sua esposa Zeres, e se pronunciam bênçãos sobre Mardoqueu e o eunuco Harbona. Também, cada vez que é pronunciado o nome de Hamã, a congregação na sinagoga dá gritos e mofas.

Na festa de Purim, os judeus acostumam recitar uma oração denominada «Shoshanat Ya'akov», que traduzido para o português é «A Rosa de Jacó». A seguir dita oração:

«A rosa de Jacó se encheu de emoção e alegria quando viu Mardoqueu vestido de azul real. Tu sempre foste sua salvação, sua esperança em cada geração, para conhecer que todo aquele que põe sua esperança em Ti não será envergonhado, nem estarão por sempre na desgraça todos aqueles que confiam em Ti. Maldito seja Hamã, que tentou me destruir; bendito seja Mardoqueu, o judeu. Maldita seja Zeres, a esposa de Hamã, que me aterrorizou; bendita seja Ester, que intercedeu por mim. Malditos sejam todos os malvados; benditos sejam todos os íntegros; e que Harbona seja lembrado favoravelmente».

Dia de Nicanor


A referência mais antiga à festividade de Purim fora do Antigo Testamento, está no Período Intertestamentário (séculos IV-I a.C.), onde, no percorrer da Revolução Macabaica, é proclamado um decreto em 161 a.C. para celebrar anualmente a derrota do general grego selêucida Nicanor perante Judas Macabeu, no dia treze de Adar, uma jornada antes do Dia de Mardoqueu (ou seja: Purim). Esta celebração que festejava a derrota de Nicanor era conhecida como «Dia de Nicanor». Flávio Josefo, no final do século I d.C., disse que o dia de Nicanor celebrava-se no dia 13 de Adar, e Purim nos dias 14 e 15 de Adar.

O dia de Nicanor não se comemorou mais depois do século VII d.C., mas a data em que era observado (13 de Adar) incorporou-se gradualmente à festa de Purim. Diferentemente dos dias 14 e 15 de Adar, que são jornadas de celebração, o dia 13 de Adar foi instituído pelo judaísmo rabínico como dia de jejum, rememorando aquele que foi convocado por Ester para todos os judeus do império medo-persa (Ester 4:15-17). Mas se este dia de jejum cair num dia sábado, será observado dois dias antes (ou seja, numa quinta-feira que seja 11 de Adar).

Datas


13 de Adar (o outrora Dia de Nicanor):

• 2000: 19 de fevereiro
• 2001: 08 de março
• 2002: 25 de fevereiro
• 2003: 15 de fevereiro
• 2004: 06 de março
• 2005: 22 de fevereiro
• 2006: 13 de março
• 2007: 03 de março
• 2008: 19 de fevereiro
• 2009: 09 de março
• 2010: 27 de fevereiro
• 2011: 17 de fevereiro
• 2012: 07 de março
• 2013: 23 de fevereiro
• 2014: 13 de fevereiro
• 2015: 04 de março
• 2016: 22 de fevereiro
• 2017: 11 de março
• 2018: 28 de fevereiro
• 2019: 18 de fevereiro
• 2020: 09 de março
• 2021: 25 de fevereiro
• 2022: 14 de fevereiro
• 2023: 06 de martes
• 2024: 22 de fevereiro
• 2025: 13 de março
• 2026: 02 de março
• 2027: 20 de fevereiro
• 2028: 11 de março
• 2029: 28 de fevereiro
• 2030: 16 de fevereiro

14-15 de Adar (celebração de Purim):

De acordo com a interpretação do judaísmo rabínico, a celebração de Purim deve ser realizada no segundo mês de Adar, quando o ano hebraico bíblico é de treze meses.

Por sua vez, os caraítas e os messiânicos interpretam que a Bíblia não indica comemorar Purim em Adar II (conhecido como Adar Bet em hebraico), já que antigamente os anos de treze meses só eram estabelecidos quando a cevada ainda não estava pronta para segar, pois o tempo propício para aquilo é o mês de Abibe/Nisã. Ao não estar a cevada pronta para a colheita, acrescentava-se um mês a mais (Adar II), esperando as espigas madurarem.

A técnica matemática formulou-se entre os séculos VI-V a.C., e só no ano 359 d.C., Hillel II aperfeiçoou os cálculos e métodos conhecidos, e estabeleceu os mecanismos utilizados até o dia de hoje, que foram corroborados pelas últimas e mais modernas observações astronômicas.

Depois de ter esclarecido as diferenças de interpretação na data de Purim, a seguir uma tabela com os equivalentes gregorianos entre os anos 2000 e 2030:

• 2000: 20-21 de fevereiro (21-22 de março*)
• 2001: 09-10 de março
• 2002: 26-27 de fevereiro
• 2003: 16-17 de fevereiro (18-19 de março*)
• 2004: 07-08 de março
• 2005: 23-24 de fevereiro (25-26 de março*)
• 2006: 14-15 de março
• 2007: 04-05 de março
• 2008: 20-21 de fevereiro (21-22 de março*)
• 2009: 10-11 de março
• 2010: 28 de fevereiro–01 de março
• 2011: 18-19 de fevereiro (20-21 de março*)
• 2012: 08-09 de março
• 2013: 24-25 de fevereiro
• 2014: 14-15 de fevereiro (16-17 de março*)
• 2015: 05-06 de março
• 2016: 23-24 de fevereiro (24-25 de março*)
• 2017: 12-13 de fevereiro
• 2018: 01-02 de março
• 2019: 19-20 de fevereiro (21-22 de março*)
• 2020: 10-11 de março
• 2021: 26-27 de fevereiro
• 2022: 15-16 de fevereiro (17-18 de março*)
• 2023: 07-08 de março
• 2024: 23-24 de fevereiro (24-25 de março*)
• 2025: 14-15 de março
• 2026: 03-04 de março
• 2027: 21-22 de fevereiro (23-24 de março*)
• 2028: 12-13 de março
• 2029: 01-02 de março
• 2030: 17-18 de fevereiro (19-20 de março*)

*De acordo com a interpretação rabínica.

Legado


Podemos extrair do Livro de Ester grandes princípios e exemplos para nossas vidas. Vemos que DEUS está no controle de nossos destinos, e que Ele sempre se apresenta como El Yeshuá, ou seja, o DEUS que salva, disposto a ouvir as orações de seus servos quando estão em situações impossíveis de serem resolvidas de forma natural. Vemos também a sabedoria de Ester e de seu primo Mordecai, que souberam fazer uso de sua posição e status para abençoar a muitos. Além disso, o Livro de Ester nos mostra que muitas vezes devemos lutar para obter a vitória (assim como fizeram os judeus habitantes da Pérsia), e não apenas nos acomodarmos esperando um milagre. Como diz o velho ditado judaico: «Creia nos milagres, mas não dependa deles».

¡Feliz Purim para todos!


Most visited posts of this week:

Yom Teruah / Rosh Hashanah

A Festa das Trombetas (em hebraico: יוֹם תְּרוּעָה, Yom Teruá, ‘dia de gritar/ detonar’), ou Rosh Hashaná (em hebraico: ראש השנה, Rosh Ha-Shaná, ‘cabeça do ano’), é o ano novo bíblico civil, comemorado a 1 de Etanim ou Tishrei (sétimo mês do calendário bíblico cultual; ou o primeiro no calendário civil, conforme Levítico 23:24-25). Celebra-se desde o entardecer do dia anterior (29 de Elul) até o anoitecer do primeiro dia de Etanim.

Para o início do ano bíblico existem dois critérios:

1.- A Torá (Pentateuco) estabelece que o mês de Abibe ou Nisã (março-abril) é o primeiro dos meses do ano, em cujo primeiro dia se comemora o ano novo cultual (Êxodo 12:2; 13:3-5).

2.- No mês hebraico de Etanim ou Tishrei (setembro-outubro) comemora-se o dia em que DEUS criou o mundo e, conforme a opinião do rabino Eleazar ben Shammua, a partir desta jornada se contam os anos. Esta é a data da Festa das Trombetas (em hebraico: זכרון תרועה, Zikron Teruá, ‘comemoração com soar de trombetas’) estabelecida e…